Um dia
desses procurei você em uma loja de perfumes. Caminhei por todo o espaço reservado
aos clientes, perguntei a atendente por você, ela disse que não.
Sai à
calçada, olhei para os lados, enxerguei o vazio, senti o frio, senti saudade.
Entrei
novamente, minuciosamente olhei as vitrines. Encontrei perfumes diversos, fragrâncias
múltiplas. Em nenhuma delas senti você. Você não exalava cheiro de perfume, sua
pele tinha aroma próprio que outrora me embriagou, me viciou.
Meu olfato
ficou tão apurado, tão especializado em seu cheiro que consigo sentir em
pedaços de cabelos seus, soltos, perdidos dentro do guarda-roupa que teimo em não
limpar, mesmo anos após sua partida.
Insisto
sem sucesso encontrar seu cheiro nas melhores lojas de perfume da cidade. Procuro
sabendo que jamais encontrarei, procuro, na verdade, para ter o que fazer.
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