sábado, 9 de novembro de 2013

Você não é isso tudo



O que é isso? O que é aquilo? Quem você é? Realmente você não é tudo isso. Isso é apenas um pronome demonstrativo, assim como isto. E isto é apenas outro pronome que pretende demonstrar que você não é tudo isso. Você é alegria, verdade, sintonia, isso é monotonia. Você é flores, rosas vermelhas, você encanta, isso, isso não é tanto. Você é céu, é cores, é arco-íris, você é linda, isso é cinza. Você é paixão, é exceção, isso é audácia minha, pretensão. Você é brilho, reflexo, luz, refletida no meu olho, e eu, eu sou apenas mais um tolo, que fico assim, bobo, admirado com sua beleza. Ah você, você é princesa, rainha, presença, ah, isso é sua ausência que me deixa assim, com carência. Você é doce, é mel, doce mel, isso é atalho, lamentos para chegar a você em pensamento. Você é forma, é arte, isso é cansaço, é tentativa, faz parte. Você é amor, é perfeição. E isso, ah, isso é apenas uma rima de um aprendiz de poeta tentando demonstrar que você é tudo aquilo que não consigo traduzir em palavras.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Dia do Seu Aniversário

O sol acordou mais brilhante nesse dia
As flores sorriram e brotaram
O mundo se encheu de harmonia
Os pássaros se encantaram e cantaram

Nesse dia, a alegria tomou conta da tristeza
A raiva fugiu e não voltou
O feio virou tanta beleza
O mal murchou e não vingou

Nesse dia, a ignorância pediu desculpas à humildade
A inveja se rendeu a tolerância
De amor, o mundo estava com saudade
E com você se encheu de esperança

Nesse dia, a paz desafiou
Muitas guerras e conflitos pelo mundo
Não houve nada, simplesmente tudo parou
É a paz, um sentimento bem profundo

Nesse dia o mundo se enfeitou
Música, festa, brilho e um altar
O povo para o mundo anunciou
Vem chegando nossa princesa pra reinar

Esse dia, o astro rei bem cedo iluminou
Muitas estrelas saíram do berçário
Os deuses para nós, você, nos enviou
Esse dia foi o dia do seu aniversário.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ontem eu fui dormi hoje

Todo dia eu só consigo dormi no dia seguinte. E ao amanhecer no dia seguinte sigo a rotina sem a sua presença, adormeço novamente sobre sua foto amassada e os bilhetes deixados por você há algum tempo. Adormecido fico por um longo tempo e o tempo assim passa rápido como você passou por mim. O dia segue seu curso normal, eu sigo meu sono, afinal, não sei seu destino nem mesmo em sonho. Horas passam como se fossem minutos e após alguns segundos acordo no escuro do meu quarto sem saber se ainda é hoje ou se já é amanhã, sabendo que ainda estou sozinho te esperando. Na tarde desse dia qualquer, nada faço, penso, desfaço, tenho fé. E no meu mundo pequeno com chão de edredom e céu de concreto, parado eu fico, levanto e grito, deito inquieto. Com cheiro de mofo, começo de novo a contagem regressiva, olhando para relógio, de minuto em minuto, até o último segundo antes da meia noite, que segundo o bilhete deixado por você, talvez fosse à hora para reaparecer. E com a certeza de um coração solitário, amargurado, confiante e esperançoso, adormeço novamente esperando a sua chegada.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Meu perfume é seu cheiro


Um dia desses procurei você em uma loja de perfumes. Caminhei por todo o espaço reservado aos clientes, perguntei a atendente por você, ela disse que não.
Sai à calçada, olhei para os lados, enxerguei o vazio, senti o frio, senti saudade.
Entrei novamente, minuciosamente olhei as vitrines. Encontrei perfumes diversos, fragrâncias múltiplas. Em nenhuma delas senti você. Você não exalava cheiro de perfume, sua pele tinha aroma próprio que outrora me embriagou, me viciou.
Meu olfato ficou tão apurado, tão especializado em seu cheiro que consigo sentir em pedaços de cabelos seus, soltos, perdidos dentro do guarda-roupa que teimo em não limpar, mesmo anos após sua partida.
Insisto sem sucesso encontrar seu cheiro nas melhores lojas de perfume da cidade. Procuro sabendo que jamais encontrarei, procuro, na verdade, para ter o que fazer.

sábado, 30 de março de 2013

Brilho do Vale

Tem sim,
No meu vale também tem,
Belezas pra mais de cem,
São nossas e de mais ninguém,
No meu Jaguaribe tem sim.
Quando a noite vem chegando,
Todo dia é assim,
O Vale fica brilhando,
Todo dia perto do fim.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Castanhão



Tanta água, tantas árvores, muitos galhos tão secos.
Tanta água, tanta seca, tantos muros, muitas cercas.
Tanta água, tanta beleza, pouco riso, muita tristeza.
Tanta água, tanta gente, muita gente, tão carente.
Tanta água, tanta peleja, não na Globo, nem na Veja.
Tanta água, tanta rudia, tanto quanto hipocrisia.
Tanta água, pouca água, no sertão, contradição.
Tanta água, tanta fome, tanta sede, qual seu nome?
Tanta água, pouco pão, tanta água no Castanhão.