Todo
dia eu só consigo dormi no dia seguinte. E ao amanhecer no dia seguinte sigo a
rotina sem a sua presença, adormeço novamente sobre sua foto amassada e os
bilhetes deixados por você há algum tempo. Adormecido fico por um longo tempo e
o tempo assim passa rápido como você passou por mim. O dia segue seu curso
normal, eu sigo meu sono, afinal, não sei seu destino nem mesmo em sonho. Horas
passam como se fossem minutos e após alguns segundos acordo no escuro do meu
quarto sem saber se ainda é hoje ou se já é amanhã, sabendo que ainda estou
sozinho te esperando. Na tarde desse dia qualquer, nada faço, penso, desfaço,
tenho fé. E no meu mundo pequeno com chão de edredom e céu de concreto, parado
eu fico, levanto e grito, deito inquieto. Com cheiro de mofo, começo de novo a contagem
regressiva, olhando para relógio, de minuto em minuto, até o último segundo
antes da meia noite, que segundo o bilhete deixado por você, talvez fosse à
hora para reaparecer. E com a certeza de um coração solitário, amargurado,
confiante e esperançoso, adormeço novamente esperando a sua chegada.